Mameluco Xerere

Eu me criei no litoral

Pedra do Sal, Amarração,

Praça da Graça, Beira do rio,

Com carangueijo, com camarão.

Cresci no meio do Bumba meu Boi,

Correndo com a Catirina e com o Folharal.

E muito cedo, ainda menino,

Vim parar na capital.

 

Cabeça de Cuia, do Parnaíba, do Poty,

Mameluco Xererê, de Teresina, do Piauí.

 

Eu sou um todo, de todo o estado,

De Corrente à Luiz Correia.

Festa Junina, São João, Reizado,

Queima do Judas na lua cheia.

Estive com os Fenícios nas Sete Cidades,

E com os primeiros homens da América na Pedra Furada.

Sou do sertão, fui Cangaceiro,

E sou peão de vaqueijada.

 

Cabeça de Cuia, do Parnaíba, do Poty,

Mameluco Xererê, de Teresina, do Piauí.

 

Da carnaúba, do babaçú,

Saio do côco do burití.

Da manga-rosa, mandacarú,

Da cajuína e do sapoti.

Talhado como uma obra de mestre Donato,

Sou da cidade, das ruas, do campo, do meio do mato.

Sou um poema de Torquato Neto,

Palha, barro, aço e concreto.

 

Cabeça de Cuia, do Parnaíba, do Poty,

Mameluco Xererê, de Teresina, do Piauí.

 

Parnaíba, Floriano, Oeiras, Piripirí,

Campo Maior, José de Freitas e Canto do Buriti,

Valença, Luzilandia, Cocal, Esperantina,

Vou saudando minha gente, vou tomando cajuína.

Piracuruca, Jaicós, Barras do Maratoan,

São Raimundo Nonato, Piauí eu sou teu fã.

Picos e todas outras que não cabem mais aqui,

Meu abraço, meu carinho, pro meu povo do Piauí.

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