Mistério da mão que arrocha

Era um mistério da mão que arrocha,

põe o baralho menina, acende a vela.

Era uma casa em que tudo se perdia,

desaparecia, sumia de dentro dela.

.

Uma botão, uma linha, um ovo, uma galinha, pode procurar.

Um prego, um alfinete, bicicleta, capacete hoje não vou passear.

Um martelo, um parafuso, um homem obtuso que ali havia.

Uma bala, um chiclete, um véio com diabete que tudo comia.

.

Era uma tarde bem ensolarada,

sem fazer nada eu olhava na janela.

Era um jardim de fores tao belas

e tu no meio misturando-se com elas.

Era uma rosa, trevo de quatro folhas,

eram bolhas de sabão que se espocavam.

Era um barulho, um estrondo, um estouro,

teus cabelos louros por mim chamavam.

.

E a gente se perdia, toda noite todo dia, pelo infinito.

Tudo verdadeiro, debaixo do abacateiro era tão bonito.

Entre labirintos, no céu verde absinto, ‘cê de tudo ria.

E comia pão de queijo, eu te dava um beijo, ‘cê nem percebia.

.

Era um momento, uma hora, um segundo,

tão profundo que tudo rodopiava.

Era um brisa leve uma neblina,

confete de purpurina que o vento soprava.

Era um tempo que não existia,

nem mesmo havia relógios na parede.

Era verão, não, acho que era outono,

sei que tinha sono, me deitei na rede.

.

Sonho ou fantasia, uma luz luzia bem lá no fundo.

O inicio de tudo, era calmo, era mudo, era o fim do mundo.

Nesse firmamento, procurei meu pensamento mas não encontrava.

Acende a tocha, mistério da mão que arrocha, que mamãe falava.

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