Mistério da mão que arrocha

Era um mistério da mão que arrocha,

põe o baralho menina, acende a vela.

Era uma casa em que tudo se perdia,

desaparecia, sumia de dentro dela.

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Uma botão, uma linha, um ovo, uma galinha, pode procurar.

Um prego, um alfinete, bicicleta, capacete hoje não vou passear.

Um martelo, um parafuso, um homem obtuso que ali havia.

Uma bala, um chiclete, um véio com diabete que tudo comia.

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Era uma tarde bem ensolarada,

sem fazer nada eu olhava na janela.

Era um jardim de fores tao belas

e tu no meio misturando-se com elas.

Era uma rosa, trevo de quatro folhas,

eram bolhas de sabão que se espocavam.

Era um barulho, um estrondo, um estouro,

teus cabelos louros por mim chamavam.

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E a gente se perdia, toda noite todo dia, pelo infinito.

Tudo verdadeiro, debaixo do abacateiro era tão bonito.

Entre labirintos, no céu verde absinto, ‘cê de tudo ria.

E comia pão de queijo, eu te dava um beijo, ‘cê nem percebia.

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Era um momento, uma hora, um segundo,

tão profundo que tudo rodopiava.

Era um brisa leve uma neblina,

confete de purpurina que o vento soprava.

Era um tempo que não existia,

nem mesmo havia relógios na parede.

Era verão, não, acho que era outono,

sei que tinha sono, me deitei na rede.

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Sonho ou fantasia, uma luz luzia bem lá no fundo.

O inicio de tudo, era calmo, era mudo, era o fim do mundo.

Nesse firmamento, procurei meu pensamento mas não encontrava.

Acende a tocha, mistério da mão que arrocha, que mamãe falava.

Pelo litoral Texano fiz um galope à beira-mar

belezanegra

Cidadão do mundo

Morei em muitas partes

Letrado nas artes

Pensamento fecundo

Quando escrevo vou à fundo

Adoro me desafiar

Vou sem medo, sem pensar

Fazendo versos soberanos

E pelo litoral Texano

Fiz um galope à beira-mar.

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Vim do Rio de Janeiro

Me criei em Teresina

Em vez de leite, cajuína

Por isso eu cresci ligeiro

Antes de andar falei primeiro

Pedi um caderno pra anotar

Já vim com história pra contar

E peguei logo um aeroplano

E pelo litoral Texano

Fiz um galope à beira-mar.

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Por muitos caminhos andei

Fazendo verso e canção

Com a caneta e o coração

Transformando o que imaginei

São tantas coisas que nem sei

Se ainda vou lembrar

Sei que eu queria viajar

Acho que era começo de ano

E pelo litoral Texano

Fiz um galope à beira-mar.

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Vou me embora, não demoro

Pois a saudade é temporária

Minha cabeça é planetária

Como um louco meteoro

Essa é a vida que adoro

Com minha arte vou voar

Quem quiser tente alcançar

Pois vou cruzar o oceano

E pelo litoral Texano

Fazer um galope à beira-mar.

Nos dez pés de martelo Texano

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Por onde eu já andei

Desde o dia de meu nascimento

Sempre fiquei esperto e atento

Usando tudo o que estudei

Quando cheguei aqui me empolguei

Já faz tempo nem lembro o ano

Até me sinto um veterano

Nessa terra de verso e poesia

Me encho de idéias, de fantasia

Nos dez pés de martelo Texano.

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O chão é fértil apesar de quente

O povo é alegre e apaixonado

Pelas margens do rio Colorado

Logo se vê que aqui é diferente

No meio de toda de gente

Chinês, Europeu e Indiano

Tem democrata, tem republicano

Na mais completa diversidade

Usufruindo de sua liberdade

Nos dez pés de martelo Texano.

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A música então é uma bonança

De uma fartura maravilhosa

Não tem uma alma sebosa

Que não caia no meio da dança

Se espalhando pela vizinhança

Os sons vão do santo ao profano

Agradando à Gregos e Troianos

Todos os ritmos aqui se mistura

Sem preconceito, sem frescura

Nos dez pés de martelo Texano.

Fim do Mundo

 

earth-day-2013

Primeiro veio a temperatura

Não importa o tolo espanto em minha cara

A vida continua e nada para

Cada um é sua própria criatura

Aos poucos se acabou toda a ternura

Entre as trevas a serpente e uma Quimera

Todos dizem que será uma nova era

Só não sabem se será a derradeira

Tudo treme, gira, vibra a terra inteira

E meu sonho fica cada vez mais fundo

Nada resta hoje já é quarta feira

Só tem eu e você no fim do mundo.

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Suando nesse quarto solitário

Vejo a luz que se vai lá fora

Se eu fosse um viajante planetário

Voltaria aos tempos de outrora

Só sei que não quero ir embora

Mal cheguei, pra mim está muito cedo

Não foi por confiança nem por medo

Mas saí fora e pus os pés na beira

Tudo treme, gira, vibra a terra inteira

E meu sonho fica cada vez mais fundo

Nada resta hoje já é quarta feira

Só tem eu e você no fim do mundo.

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Choveu como se fosse um dilúvio

Inundando as cidades e as montanhas

Eram chamas que nem as do Vesúvio

Consumindo toda terra e suas entranhas

Entre baratas, carrapatos e aranhas

Todos correm para um lugar seguro

Eu rezo, rio, choro e esconjuro

Pois nunca vi assim tanta doideira

Tudo treme, gira, vibra a terra inteira

E meu sonho fica cada vez mais fundo

Nada resta hoje já é quarta feira

Só tem eu e você no fim do mundo.

Dick Vigarista

Nessa corrida tumultuada
Nesse pais da confusão
Tudo parece até piada
Como sofre nossa pobre nação

A virtude já foi atropelada
A ganancia está na primeira posição
A bondade nem é mais citada
Aqui só quem ganha é ladrão, então

Dick Vigarista
Dick Vigarista
Dick Vigarista, venceu, venceu

Tudo decidido na largada
Na verdade nem há competição
Como é triste te ver tão maltratada
Minha terra agora é só corrupção

A justiça com as mãos atadas
Os honestos caem pelo chão
Os bandidos cruzam a linha de chegada
Já se sabe que é o campeão, …foi ele

Dick Vigarista
Dick Vigarista
Dick Vigarista, venceu, venceu

Everything I mean

I saw everything I’ve seen
I meant everything I mean
I went wherever I could go
I said yes when I should’ve said no.

I’m forgiven but not forgotten
Outside is clean but the inside is rotten
I understand what it’s understood
I comprehend more than I should

I’ve told you what I used to tell
Instead of whisper you’ve made me yell
I felt the way I’ve always feel
Don’t know if it’s a lie or if it’s real.

I talked but I haven’t spoken
I tried to fix what was not broken
I heard just what I wanted to hear
I’m not afraid, I only fear.

Do as I say, not as I do
Another lie just became true
I am not sad just full of sorrow
Today’s only yesterday’s tomorrow.

I’d run away if I could only move
There is no vibe but I’m in the groove
The obvious sometimes is hard to see
Unless you see no hardness, obviously.

Verde & Amarelo

Já faz muito tempo que saí de casa
Mas parece que foi outro dia
Saudade as vezes queima que nem brasa
Achava fácil, mas me iludia
Bem no começo era diferente
Tudo era novo, tudo seduzia
Mas com o tempo é que a gente sente
Que era verdade o que se dizia

Verde, Amarelo, Branco, Azul Anil
É bem mais forte do que possa parecer
Você pode até sair fora do Brasil
Mas o Brasil nunca sai de dentro de você

Agora só penso em tudo que faço
Em poder voltar um dia
Andar pelas ruas no mesmo compasso
Em que assobio essa melodia
Quando a saudade enfim me levar
Farei algo, pensei, que nunca faria
Me ajoelhar na frente do mar
Jurar não sair mais da Bahia

Verde, Amarelo, Branco, Azul Anil
É bem mais forte do que possa parecer
Você pode até sair fora do Brasil
Mas o Brasil nunca sai de dentro de você

O Verso e a Música

O verso falava tudo que queria e a música
insistia em dizer não.
Ele insinuando-se com rimas, obras primas,
mas ela não lhe dava refrão.

O verso, versátil e persitente, de repente
atacou com poesia.
A música se fez de indiferente, foi em frente,
nem lhe deu melodia.

O verso com metáfora e analogia, tudo sabia,
era como um Cervantes.
A música caprichosa só fingia e insistia
em acordes dissonantes.

Um dia o verso saiu do papel
e na mais pura inspiração,
fez a música se sentir no céu,
os dois tomados de emoção

 

Seduzido e apaixonado
o verso abriu o coração
Ela pôs seu orgulho de lado,
e se encheu de paixão
e na mão de um compositor
fizeram amor, nasceu canção 

Lá vem o Samba

 

Ele vem lá de cima

Pura medicina

Alegria sem fim

É a cura do povo

Que vem lá do morro

Sambando assim

Vem do Rio de Janeiro

Um Samba maneiro

Gostoso demais

Ele vem da Bahia

Com fé e  magia

Trazendo a paz

 

Lá vem o Samba meu bem

Lá vem o Samba amor

Vem descendo lá do morro

Pra avenida aonde vou

 

Pelas ruas saiu

E por todo o Brasil

Felicidade geral

Se espalhou pela terra

Acabou com a guerra

Samba mundial

Esse Samba estadista

Que saiu da pista

Pro prêmio Nobel

Mas voltou para a gente

Pois no morro se sente

Mas perto do céu

 

Lá vem o Samba meu bem

Lá vem o Samba amor

Vem descendo lá do morro

Pra avenida aonde vou

Onipresente

SE SEI O QUE EU SOU

SOU VIVO, JÁ BASTA.

ALGO INEXPLICÁVEL

PALPÁVEL. DE FATO.

 

SE SEI AONDE ESTOU

ME ESCONDO, TE ILUDO.

CORTINA DE VELUDO

QUE CAI NO FIM DO ATO.

 

NADA MAIS IMPORTA

AGORA

SOU DOM QUIXOTE DE CERVANTES.

MEU TOM, TEU BOTE DE SERPENTE

NESTA HORA.

 

SE SEI PRA ONDE EU VOU

NÃO PARO NEM LIGO.

SIGO POR CAMINHOS

ESPINHOS EM QUE PISO.

 

SE SEI O QUE EU QUERO

É MERO O QUE FAÇO.

QUERO TANTO TUDO

MUDO TODO O TRAÇO.

 

NADA MAIS IMPORTA

AGORA

TEU RAIO EM MIM PARALIZANTE.

EU CAIO ASSIM TÃO DE REPENTE

NESTA HORA.

 

NADA MAIS IMPORTA

AGORA

TEU BEM, O SAL DE TODO INSTANTE.

QUE NEM O SOL ONIPRESENTE

NESTA HORA.